Lisbona // Os laços de eros

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+

OS LAÇOS DE EROS

Ciclo de cinema – Braço de Prata – Mês do Erotismo 
Rassegna cinematografica – Braço de Prata – Mese dell’erotismo

Lisboa, Junho 2013 
Lisbona, giugno 2013

Una piccola rassegna cinematografica in seno al mese dell’erotismo declinata attraverso quattro capitoli: eros e immaginario infantile, eros e sua intellettualizzazione, eros e religione, eros e fantasie.

 

De gustibus non est disputandum

Quero começar com um pequeno exercício: associação de pensamento.
Se eu disser Eros, vocês pensam em…? Não não…Não vale pensar demasiado…é mesmo a primeira coisa que vos ocorreu…sim sim!
Não corem, por favor.
A coisa mais libertadora do mundo é quando não há uma resposta correta ou errada, todas são válidas e a sabedoria latina ajuda-nos sempre: de gustibus non est disputandum.
De facto, não é propriamente a questão do gosto que o Mês do Erotismo quer abordar, ou pelo menos não só.
Esta Iª edição quer ser o início de uma conversa sobre o Erotismo com tudo o que isto engloba: gostos, fantasias, vidas, experiência, género, imaginação, sensibilidade e muito mais.
Falar de erotismo nunca foi fácil, e mesmo que alguém contradiga dizendo que nunca foi tão simples como hoje em dia, pessoalmente não concordo a cem por cento.
Existem ainda tabus, não simplesmente culturais mas também pessoais.
A vergonha de sermos criticados por algo de que gostamos mas ao qual nem sempre conseguimos dar uma explicação lógica, racional. O medo de não sermos aceites…
Talvez possamos começar a perguntar curiosamente porquê antes de pôr barreiras a algo que desconhecemos. No fundo, é verdade que quem deixa a rua velha pela nova, sabe o que deixa para atrás mas não sabe o que encontrará…mas temos mesmo a certeza que o novo não será mais “excitante”??
E também não podemos esquecer que, como Nicola Abel-Hirsch escreve, “o ‘paradoxo’ de Eros é que a sua ‘vitalidade’ não é um estado fixo ou uma via para homogeneidade, mas implica o abalo de um intercurso entre aspetos ‘vitalmente diferentes’ do si-próprio, de outras pessoas, experiencias ou ideias”.

Pequeno ciclo de CINEMA ERÓTICO

Na 1ª edição do Mês do Erotismo,a decorrer no Braço de Prata em Junho, o ciclo de cinema temático de 4 filmes, apresentados um por cada semana, tem como objetivo começar um percurso de reflexão sobre um elemento imprescindível do ser humano limpando-o do pudor e da vergonha que na maioria das vezes nos impede de falar sobre ele.

1ª sessão: Eros e Imaginário Infantil

Fase oral: inicialmente, a experiência da criança mais jovem centra-se na alimentação, associada à boca e ao mamilo, bem como ao ato de chupar.

LA TETA Y LA LUNA
BIGAS LUNA Espanha // 1994 // 100’ // Cor

Ficha técnica:
Argumento: Bigas Luna, Cuca Canals
Fotografia: José Luis Alcaine
Montagem: Carmen Frías
Música: Nicola Piovani
Produção: Andres Vicente Gomez
Intérpretes: Javier Bardem, Gérard Darmon, Biel Durán, Xus Estruch, Abel Folk

Sinopse:
O rapazinho catalão Tete tem dois problemas: o primeiro como “anxaneta” (ponta extrema do “castel”, a pirâmide romana do folclore local) de não conseguir nunca alcançar o topo da sugestiva construção vivente: o segundo, como filho a mais, ou seja o medo de ser posto de um lado por causa do recém-nascido irmão que captura toda a atenção e o seio da mãe. A obsessão para esta edípica forma anatómica leva Tete a aproximar-se a uma bailarina francesa de um circo de que reparou as magníficas mamas que sonha possuir em exclusiva.
Provavelmente o primeiro filme na história do cinema (pornos excluídos) a incluir a palavra mama (teta) no título. O erotismo é regressivo, por momentos felliniano.

2ª sessão: Eros e Intelectualização

Uma projeção ao contrário. Os grandes mestres do cinema impressionam a pelicula tentando dar corpo ao Eros.

EROS
MICHELANGELO ANTONIONI, STEVEN SODERBERGH, WONG KAR WAI // França, Hong Kong, Itália, Luxemburgo 2004 // 104’ // P/ b e cor

Ficha técnica:
Argumento: Michelangelo Antonioni, Tonino Guerra, Steven Soderbergh, Wong Kar-Wai
Fotografia: Marco Pontecorvo, Steven Soderbergh, Christopher Doyle
Montagem: Claudio Di Mauro, Steven Soderbergh, William Chang
Música: Enrica Fico, Vinicio Milani, Chico O’Farrill, Tito Puente, Peer Raben
Produção: DOMENICO PROCACCI, STEPHANE TCHALGADJIEFF, RAPHAEL BERDUGO JACQUES BAR PER FANDANGO, SOLARIS, ROISSY FILMS, CITE’ FILMS PRODUCTIONS, DELUX; GREGORY JACOBS PER IPSO FACTO; JACKY PANG YEE WAH PER BLOCK 2PICTURES
Intérpretes: Christopher Buchholz, Regina Nemni, Luisa Ranieri, Robert Downey Jr., Alan Arkin, Ele Keats, Gong Li, Chang Chen, Tin Fung, Auntie Luk, Zhou Jianjun, Lee Kar Fai, Un Chi Keong, Sheung Wing Tong, Wong Kim Tak, Ting Siu Man, Yim Lai Fu, Shin Cheng You, Siu Wing Kong, Cecilia Luci

Sinopse:
Três episódios de três grandes autores:
O fio perigoso das coisas (30′) de Michelangelo Antonioni: Toscânia, 2004.
Depois de ter acabado com o seu casamento, um homem encontra por acaso uma mulher por quem antiga e longamente tinha estado apaixonado. O homem passa com ela alguns dias de intensa paixão sem imaginar que a sua nova amante irá encontrar a sua ex-mulher.
Equilibrium (35′) de Steven Soderbergh: New York, 1955.
Um psicanalista ouve os contos de um dos seus pacientes, obcecado por uma mulher que aparece nos seus sonhos e que perturba o normal decorrer dos dias.
A mão (39′) de Wong Kar Wai: Shanghai, 1963.
Um aprendiz de alfaiate e uma prostituta de alto nível apaixonam-se no meio dos tecidos e dos vestidos que ele cria unicamente para ela.
Em competição na 61ª edição do Festival de Veneza.
Três formas diferentes de filmar o eros e o desejo sexual.

3ª sessão: Eros e Religião

“O proibido confere àquilo que atinge um sentido que o ato proibido em si próprio não tinha. O proibido obriga à transgressão, e sem ela o ato não teria conseguido o mau clarão que seduz…” G. Bataille

CONTOS IMORAIS
WALERIAN BOROWCZYK // França // 1974 // 105’ // Cor

Ficha técnica:
Argumento: Walerian Borowczyk
Fotografia: Guy Durban, Bernard Daillencourt, Noël Véry, Michel Zolat
Montagem: Walerian Borowczyk
Música: Maurice Le Roux
Produção: BELMA CAPITOL – GENERAL VIDEO, POLYGRAM FILMED ENTERTAINMENT VIDEO
Intérpretes: Paloma Picasso, Charlotte Alexandra, Florence Bellamy, Lorenzo Berinzi, Jacopo Berinzi, G. Lorenzo Bernini

Sinopse:
Quatro episódios:
1° episódio: A Maré. Um jovem com vinte anos inicia a prima ao amor num passeio aventuroso à beira mar, fazendo coincidir o ritmo do amplexo com o das ondas
2° episódio: Teresa Filosofa. Uma rapariga é trancada de castigo num velho e decadente quarto. Num momento de “ascensão” pratica autoerotismo com a única coisa que lhe deram para comer: um pepino.
3° episódio: Erzsebet Bathory. A condessa húngara de Seiscentos atrai no próprio castelo jovens mulheres que mata para poder preparar um quente banho de sangue rejuvenescedor.
4° episódio: Lucrezia Borgia. A princesa, em Roma para visitar o pai Papa Alexandre VI, livra-se do marido Giovanni Sforza e entretém-se com o irmão Cesare Borgia tornando sacrílego o ambiente religioso.

4ª sessão: Eros e Fantasias

Fantasia: capacidade da mente de inventar situações ou figuras não presentes na realidade ou de elaborar as reais.

ECTASY IN BERLIN 1926
MARIA BEATTY// EUA // 2004 // 45’ // P/b

Ficha técnica:
Argumento: Maria Beatty
Fotografia: Maria Beatty
Montagem: Maria Beatty
Música: Nick Holmes
Produção: Maria Beatty
Intérpretes: Paula Rosengarthen,Sonya Sovereign

Sinopse:
Uma injeção de droga transporta-nos num mundo de fantasia de uma mistress com a sua escrava. Na decadente cidade de Berlin na era de Waimar, a protagonista sonha com encontros BDSM. Uma homenagem à elegância dos filmes anos Vinte na ausência de diálogo e no luminoso e lascivo preto e branco.

Boa visão
Cristina Terzoni

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+